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Uma Jornada aos Infernos – Parte 4

Não adianta se são organizados e possuem um senso de ética e honra tão intricado como os humanos: nunca confie em um diabo, exceto se você ser um.”

Ethena Astorma “Storm” Silverhand

1477 C.V.

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SÉTIMO TOMO – MALADOMINI

Já estamos há onze longos meses mundanos nos Infernos. Sangue e loucura já passaram e já não são uma ameaça como era antes. Como já tinha nos alertado o Thalionir, que já vivia a quase um ano nesse plano, com o tempo nossa mente se acostumaria ao ambiente hostil.

Claro que muito da nossa essência pura de aventureiros com atitudes nobres foi sendo deixada para trás, e nosso pilar emocional era as preces que Oskar entoava para sua desconhecida deusa dos anões. Há meses não tínhamos contato com os Libertadores em Faerüm, e ainda restava resgatar dois dos Libertadores que sobreviveram à Torre dos Ossos. Chegamos, perdemos amigos, ganhamos novos. Mas não poderíamos voltar atrás em tão longa jornada: resgatar meu amigo, Elminster.

Encontramos praticamente por acaso o Mordai. Logo após, tivemos que sair desse nível, pois ele tinha arrumado inimigos poderosos. Claro que também somos, mas não poderíamos arriscar mais nenhum integrante do grupo em batalhas fora de nossa missão principal. Quando achamos o portal para o próximo nível, acampamos, e tive tempo para anotar a divertida história que Mordai narrou para o grupo, de forma quase teatral.

***

Pensou ter chegado ao seu ultimo momento, prendeu o ar pela ultima vez esperando o golpe fatal, não sentiu o golpe, só um empurrão e seu corpo caiu ao chão de costas, expelindo subitamente seu último suspiro guardado. Por reflexo voltou a respirar, e ao inspirar, um ar pesado, fétido e cáustico rasgou sua garganta, se viu a céu aberto, vestindo apenas suas asas, estava sobre o que parecia uma pedreira sem fim, nunca havia ligado muito para o pós-vida, mas isso não parecia com nada que já tivesse ouvido, será que estava mesmo morto?

Não, as feridas da batalha ainda sangram, olhou a uma certa distancia e percebeu os restos do que parecia ser uma efígie de mármore finamente trabalhada, estava vivo, e aquilo não eram apenas pedras, eram ruínas, então ele soube onde estava.

00 Mordai
Mordai

Maladomini é o sétimo nível infernal, terra de ruínas sem fim, um lugar constantemente em processo de destruição, mesmo cidades que ainda nem terminaram de ser erguidas são devastadas por não atender aos desígnios de Baalzebul, arquiduque. Esse é um péssimo lugar para se aventurar em grupo, e Mordai não tinha mais o seu grupo, nem seu parceiro Thalionhir estava mais por perto, ele sempre chamava mentalmente quando estava no alcance, sem nada além da sorte a seu lado, sabia que não iria durar muito tempo… Foi quando ouviu ruídos abafados em montes próximos e logo, ao seu redor, vários vultos o cercavam.

 

Diabos de ossos, nove deles, surgiram das ruínas como se estivessem perto o tempo inteiro, mas tão atordoado que estava, Mordai não os viu, e sem cerimônia eles todos avançaram em sua presa indefesa. Mordai ficou imóvel por um segundo, se era assim que ele acabaria, porque prolongar o sofrimento…

“NÃO!” Gritou em sua mente meio segundo antes de a primeira garra alcançá-lo, jogou o corpo pra trás e rolou acrobaticamente pra fora do círculo, outros dois saltaram sobre ele nesse momento, ainda no chão agarrou uma pedra e bateu contra o rosto do primeiro, sem o menor efeito, mas o suficiente pra se desvencilhar dele, e então correu com todas as forças, mas não sem antes ser golpeado pelo ferrão do segundo… Sentiu a toxina tomar seu corpo, mas não o suficiente para derrubá-lo.

Fugiu tombando entre as ruínas a toda velocidade. Eles eram rápidos no chão, mais ainda no ar, e Mordai não conseguia voar, corria tentando despistá-los entre os escombros, mas pequenas vantagens eram logo recuperadas pelos diabos que se separaram no voom tentando cercá-lo. Foi quando no desespero ele enxergou uma possível saída: uma fenda entre grandes lajes de alvenaria desabadas, grande o bastante pra que ele pudesse se enfiar, e talvez profunda o bastante para que pudesse se esconder…

E num ultimo esforço, deu a volta no que parecia ser um grande quarteirão, ganhando um ou dois segundos e fazendo com que os dispersos tivessem que se reunir nessa quadra, na última volta, passou correndo e saltou de cabeça usando as asas pra guiar seu trajeto, e se enfiou na fenda estreita, rasgando sua pele e asas pelo menos uns 6 metros, ele não contava que a fenda por dentro fosse um declive acentuado, deixando-o quase de ponta cabeça apoiado pelos chifres, não conseguia ver a fenda… Ouvia sons de asas e guinchos dos ossudos, cada vez mais próximos, seu coração a mil, esperava a qualquer momento ser puxado pelo rabo pra fora e devorado. Enfim…

Mas aos poucos a algazarra foi sumindo, e tudo ficou silencioso, “como uma tumba, a minha por sinal” tentou se virar mas o buraco estreitara perto de onde ele estava, mal podia se mover, tentava engatinhar de ré, lentamente, quando tudo começou a vibrar e logo a se sacudir violentamente. Terremoto! De repente a laje de cima começou a pressionar seu corpo, esmagando-o lentamente enquanto tudo ao redor tremia, subitamente a laje inferior se partiu e foi sugada pra baixo, junto com Mordai e uma quantidade de escombros desceu rumo as entranhas da superfície.

Não sabe ao certo quanto tempo se passou, mas recuperou a consciência, a visão turva teve que se acostumar a um ambiente bem iluminado. Estava no centro de um sala de médio porte, parcialmente coberto de pedras. Levantou-se com dificuldade. Olhou ao redor, estantes abarrotadas de livros se erguiam com quase 6 metros de altura até encontrar o teto, completamente rachado, e com um grande buraco no meio, lacrado, com grandes rochas entaladas na abertura.

O ar era estagnado, mas menos cáustico que o da superfície. Parecia que sua porta de entrada não seria sua saída. Além dos livros, notou vários objetos de estudo bizarros, todos cobertos por grossas camadas de poeira, frascos de alquimia se amontavam perto de um destilador, havia uma cama com dossel em um dos cantos, uma mesa, criados mudos. Era muito tudo muito estranho, a exceção da cama, eram todos moveis simples no estilo mundano de seu plano de origem, como se quem fosse dono daqui tivesse roubado a mobília de uma taverna de qualidade mediana…

Tudo era iluminado claro como o dia por globos de luz magica pelo menos um a cada estante, e em um dos cantos havia pelo menos três vezes mais globos que no resto da sala, em posições diferentes circulando uma grande mesa de madeira quase na vertical, parecendo a tela de um pintor, vários instrumentos que pareciam coisa de navegador. Pendiam de um dos lados vários rolos de pergaminho, em um cesto ao lado, outros amassados em bolas ou rasgados no chão, e no centro da mesa um grande mapa finamente detalhado de uma grande metrópole, mas vendo as inscrições, não era um mapa, era um projeto!

O espaço onde se lia o nome da cidade havia sido queimado (de proposito?) mas a assinatura estava visível: “23849/23 Dimetamon, Grão-Arquiteto”. Escrito em infernal, o número parecia algum tipo de data… mas Mordai nunca tinha entendido os calendários,  nem dos primeiros níveis. Atrás da mesa, uma miniatura de um suntuoso castelo com quase meio metro de altura, esculpida perfeitamente nos mínimos detalhes, em osso tão branco como é possível, repousava sobre uma mesa de madeira comum.

Mas os instintos de ladino lhe alertaram que poderia ser um cofre ou algo do tipo, sem pensar duas vezes pegou em suas mãos, parecia oca, e quando sacudiu ela se desfez em uma infinidade de pequenos pedaços de osso das mais diversas formas, alguns tão pequenos quanto um tijolo seria em escala… cada pedaço tinha ranhuras pra encaixar, mas mesmo em uma eternidade não seria capaz de remontá-lo, já ia deixando a mesa quando percebeu que embaixo de onde ficava a maquete, havia uma planta esculpida em baixo relevo na madeira, mostrava uma sala de 17×17 metros, com todos os detalhes descritos, da posição dos móveis ao modo como os globos de luz eram distribuídos, era essa mesma sala secreta! “Então o castelo da maquete costumava ficar em cima de onde estou agora…” Mordai pensou. “Eu pensava que tinha quebrado a maquete, mas agora ela faz jus ao verdadeiro!”

Entre as descrições, um livro em especial era mencionado: “Conceitos e Estudos de Fundações”. Relatava com precisão em que ordem e posição ele devia ser recolocado depois de lido, ele teve um pressentimento, depois de procurar em varias posições onde ele deveria estar, o encontrou, mas ao abrir, o livro era oco, no centro das paginas havia uma esfera negra pouco maior que um ovo.

Mordai a pegou, e imediatamente uma das estantes começou a emitir rangidos mecânicos, enquanto as 6 prateleiras inferiores se dobravam varias vezes sobre si mesmas, revelando uma passagem para uma outra sala escondida, essa parecia com um tesouro secreto pessoal, apenas que o “tesouro” eram coisas mundanas extremamente triviais, canecas de madeira, crânios de pequenas criaturas, utensílios de cozinha, uma coleção de placas de taverna com os mais diversos nomes, havia até um mostruário de vidro dedicado exclusivamente a jogos de talheres que eram organizados dos de ossos até os feitos de “vidro”. Em um dos mostruários havia um livro grosso, o único livro nesse local, todos os outros estavam nas estantes, e diferente de todo o resto, não havia um único grão de poeira sobre ele.

“Isso é coisa de magia!” Pensou Mordai, Pegou o livro com cuidado e uma nota sobre ele caiu. Ao apanha e ler dizia: “Nao abrir antes de 23851/65329217” escrito em linguagem comum! Será que alguém do nosso mundo viveu aqui? Será que esse livro é daqueles que  explodem? Olha, um baú camuflado atrás daquele manequim! Olha só, acho que, seja la quem viveu aqui, também tinha suas aventuras, algumas armas e uma armadura, alguns outros apetrechos, alguns frascos de vidro, serão poções ou venenos?

Seja lá quem for o dono disso parece que não vem aqui a muito tempo, então eu acho que posso pegar emprestado por enquanto…” Investigando um pouco mais, encontrou uma passagem que dava em um túnel estreito, mas só de abrir, já voltou a sentir todo o fedor do ar de fora. Olhando novamente a planta da cidade, notou que próximo ao castelo havia a indicação de um caminho para uma outra cidade, Grenpoli, se o que ele já sabia sobre esse nível for verdade, melhor torcer para que ainda esteja de pé.

Após algum tempo para chegar, sobreviver e se estabelecer em Grenpoli, Mordai se especializou em roubar e negociar com almas, na surdina, apenas algumas de cada vez para não chamar a atenção. Normalmente usava sua lábia para distrair seus alvos e conduzi-los aonde ele quisesse…

Mas mesmo com cuidado para não se expor, acabou atraindo a atenção de uma rival que tinha mais ou menos o mesmo modus operandi, após algumas rixas e tentativas de assassinar Mordai, a erinye Calisto acabou dando a ele a chance de falar. Cansado de agir sozinho e sem cobertura, Mordai lhe propôs uma sociedade: poderiam forma uma guilda, mas para que nenhum dos dois ficassem em vantagem, ela seria liderada por ambos, mas na surdina. Arranjariam um bruto pra ser o “líder” e responder aos desafios, e mais alguns membros.

Calisto conhecia Mahaluth, diabo durão dotado de força e selvageria incomuns que luta com 2 machados, está ascendendo em poder rapidamente, e não se sabe que já tenha sido derrotado por alguém, Mordai por sua vez conhecia Sirz´ka, uma necromante extremamente habilidosa, com quem ele negociava almas eventualmente. Ela usava sua magica para “fundir” parcialmente as almas em sua própria essência, de forma que não havia como roubar qualquer alma que estivesse ligada a ela, assim a guilda teve equilíbrio e conseguiu um grande sucesso rapidamente. Embora Mahaluth tivesse uma fatia maior que os outros, Mordai e Calisto sabiam que esse era um mal necessário, como uma apólice de seguro.

Não havia planos de ter um quinto membro, mas depois de serem atacados por uma guilda rival, foram indiretamente ajudados por Hajqeth, uma erinye assassina, que caçava por contrato um líder da gangue rival, e esperou que entrassem em combate conosco… Mahaluth demonstrou bastante interesse em Hajqeth, percebendo isso, Mordai fez o convite para Hajqeth integrar a guilda, o que foi prontamente endossado com entusiasmo por Mahaluth… E que foi visto com desconfiança por Calisto, que temia que Mordai acabasse conseguindo mais poder na guilda por ter trazido Sirz’ka e Hajqeth. Além disso após algum tempo, a relação entre Mahaluth e Hajqeth se tornava cada vez mais evidente.

Com a entrada do quinto membro veio a desarmonia, brigas, acusações e a inimizade cada vez mais explicita entre Calisto e Hajqeth. Em todas as decisões, a opinião de Mordai, que quase sempre era a mesma de Hajqeth acabava sendo a que Mahaluth escolhia seguir. O clima se deteriorava com o tempo, Calisto tentava se aproximar de Sirz’ka que quase sempre era neutra, mas não parecia estar tendo sucesso.

Mordai sabia que Calisto estava na espreita, não podia abaixar a guarda, não era sua intenção no inicio da um golpe e tomar a guilda, mas se Calisto achava isso, ela com certeza tentaria fazer primeiro! Em qualquer dos casos, tomar a guilda ou deixar Calisto tomar e ser eliminado era péssimo para Mordai, mas ele estava ficando sem opções… foi quando a coisa mais impensável aconteceu.

Mordai e Mahaluth estavam de campana esperando pela vitima que Calisto traria para eles, a uma distancia segura Hajqeth e Sirz’ka os observavam no ponto de encontro, prontas pra perseguir ou dar suporte respectivamente… de repente mordai ouve uma voz familiar, mas totalmente fora do contexto atual: “MORDAI, EU VIM POR VOCÊ! NÃO DÁ TEMPO DE EXPLICAR! VENHA COMIGO!”

Ao seu lado surgiu Oskar Stonefist, gritando e puxando seu braço com violência, em sua outra mão um pergaminho aberto que ele leu apressadamente, uma luz azul surgiu e os envolveu, foi tudo tão rápido que Mahaluth não tinha sequer reação, e de repente começou a olhar através deles: “Como assim!? Pra onde você vai, Mordai? MORDAAAII!!” Oskar fala: “Vamos rápido, esse era o ultimo pergaminho desse que eu tinha e não vai durar muito…”

Saiu em disparada conduzido por Oskar. “Os outros estão logo à frente! Vamos sair daqui.” Ele dizia enquanto a cabeça de Mordai dava voltas: “Isso estava mesmo acontecendo? Era melhor seguir esse maluco de novo do que ficar onde ou estava? Eu nem tive tempo de escolher… Mas agora não posso mais voltar… E talvez não consigamos nem fugir!”

E antes de fugir, Mordai olhou pra a posição de apoio e apenas Sirz’ka permanecia lá, isso quer dizer que Hajqeth estava no encalço dele e do clérigo. No instante em que a luz azul cessou, quando já estavam fora da cidade, imediatamente foram atacados de surpresa por Hajqeth que surgiu do nada e cravou sua lança no peito de Mordai. Ela era realmente uma assassina implacável, mas Oskar lançou sua magia e impediu que Mordai morresse do golpe fatal, curando-o instantaneamente!

Começaram um combate feroz, mas que não estavam conseguindo vencer, embora estivessem conseguindo ferir Hajqeth, ela estava tendo muito mais sucesso em seus golpes, e Oskar estava usando todo o limite de seu poder, quando estavam prestes a ser derrotados, a lâmina de uma rapieira brilhante irrompe do peito de Hajqeth, seu rosto tomado de dor e surpresa enquanto ouve Calisto dizer ao seu ouvido: “Você não vai tomar o que é meu sua vadia, nem nessa vida nem em nenhuma outra, Sirz’ka vai cuidar bem de você”. Dito isso a pele de Hajqeth começou a ressecar e se deteriorar rapidamente, fragmentando-se em cinzas esvoaçantes, que dançaram no ar por um momento antes q Sirz’ka estalasse os dedos e a sugasse toda para as mangas de seu robe.

“Você me confunde Mordai”, falou Calisto voltando-se para encara-lo. “Até agora há pouco achei que você queria me passar pra trás, e agora você foge? Qual o sentido disso?! Eu não sei de onde surgiu esse mortal, ou o que é tão urgente para você… Eu e Sirz’ka já tínhamos até um plano para nos livrarmos de você e dessa vaca… Mas você facilitou para nós! Mahaluth ficou cuidando da nossa vitima e nos mandou pra dar suporte… Vamos dizer que vocês mataram ela, e nós matamos vocês. Mahaluth será controlado por nós
duas e todos ganham.”

“Eu já tinha uma alma remodelada para parecer com você, Mordai.” Sirz’ka disse enquanto brincava com um pequeno Mordai espectral aterrorizado em seus dedos. “Agora farei uma que pareça seu amigo, e dito isso, vão embora! Antes que Mahaluth nos alcance.”

“Ah, e Mordai: jamais retorne a Maladomini, ou eu mesma irei caçá-lo… e sua morte será bem lenta.” Calisto completou enquanto Mordai e Oskar se afastavam sem dar as costas. “Há outros comigo, e tem outros que ainda precisamos encontrar, mas vamos conseguir, pela graça de Marthamon.” Rezou Oskar. “Mal posso esperar…” Respondeu Mordai ainda sem saber o que estava acontecendo.

***

Sendo ele e Thalionhir membros novos no grupo, os Libertadores estão ainda em fase de aprovação desses membros que foram encontrados ainda no primeiro nível dos Infernos, enquanto eu estava cativa de Garadon. Thalionhir se provou um bom companheiro, mesmo estando o tempo todo reservado, e após os eventos narrados por ele quando esteve em Minauros. O grupo teve menos tempo com Mordai, mas mesmo sendo um tiefling, sinto que ele tem um bom coração. Espero que o grupo os aceitem como me aceitaram nessa jornada, onde o bem maior de Faerüm está em jogo, e eles estão envolvidos praticamente sem receber nenhuma garantia de recompensa ou reconhecimento. O sentimento de dever cumprido é a melhor recompensa para os heróis como nós.

Storm Silverhand


ninehellscania

OITAVO TOMO – CANIA

 

Quando chegamos ao inferno de neve e icebergs de Cania, pensamos ter voltado para Stygia, que era tão gelado quanto, mas notamos logo a diferença: enquanto Stygia era um oceano sem fundo, coberto por uma camada de gelo e vários icebergs de tamanho quase continental, Cania era um deserto gelado e sem fim, com neves, montanhas e tempestades de gelo. Era o penúltimo nível que deveríamos explorar, antes de chegar ao último e encarar as masmorras de Nessus, e torcer para não cruzar com o lorde supremo dos infernos: Asmodeus.

Qualquer tipo de chama, que não fosse mágica, apagava nesse inferno. Até mesmo as mágicas, quando acionadas, se não fossem alimentadas por magia, apagavam ao sentir a cortante e mortal briza de frio de Cania. Utilizamos boa parte do nosso acervo mágico para sobreviver, e quase no quinto dia, enquanto estávamos enfrentando uma horda de diabos do gelo, encontramos a última sobrevivente dos Libertadores: Chrystall.

Após Farengar preparar sua já conhecida mansão mágica para nos abrigar, a ranger Chrystall explicou o que ocorreu com ela nesse período que esteve em Cania, e explicou que, ao contrário dos demais, percorreu não só o Cania, como também foi e voltou de Nessus, com a ajudinha de aliados que, agora, não estão mais presentes…

***

Morri duas vezes em intervalos muito curtos: morri a primeira vez na Torre dos Ossos, enfrentando um monstro que não queria morrer. E morri a segunda vez quando caí sem meus itens e sem meu companheiro animal nesse deserto gelado. Usei minhas habilidades como sobrevivente, mas sozinha, simplesmente deixei a tristeza me abater, e sim, não morri por causa de dano ou de problemas climáticos. Morri por dentro pois estava sozinha. Mas tão logo recebi a mensagem mágica de Oskar, dizendo para eu ficar em um lugar fácil e seguro que iria me achar, meu coração renovou as esperanças, e eu renasci. Tinha ânimo para sobreviver, e enfrentar os perigos até que ele chegasse até mim.

00 Chrystall
Chrystall

Só que eu não sabia que duraria doze meses. Um longo ano passei, andando por desertos gelados, pilhando cadáveres de outros aventureiros que ousaram andar por aqui, barganhando com diabos que preferiram me tormentar ou torturar invés de me matarem para que minha alma saísse daqui. Foram longos doze meses, mas não passei sozinha.

 

Quando estava procurando por comida perto das grandes muralhas do Castelo de Gelo de Mephistopheles, arquiduque de Cania, encontrei alguns aventureiros em apuros cercados por diabos de gelo. Fazia já seis meses que eu estava nesse inferno, e já conhecia bem o local, e sabia que o bando que atacava eles era de Gr’uzzerg, um diabo de gelo ambicioso, mas que amava itens mundanos de Faerüm.

Consegui negociar um acordo que poupava os aventureiros, mas custou todas as quinquilharias que eles carregavam. Logo fiz amizade com todos eles e descobri que todos eram de Faerüm: Edmond, um humano guerreiro experiente vindo do Mar das Estrelas Cadentes; Lupita, uma halfling maga super faladora; Aemon, um humano clérigo de Kelemvor, sombrio e com ar paladinesco; Turner, um anão druida que se transformava em um poderoso urso de batalha; e finalmente, Quel’Thalas, um elfo ranger com habilidades que eu nunca vi. Quel’Thalas era muito galanteador, e logo se afeiçoou a mim, e foi quem me convidou para o grupo intitulado por eles de Punhos da Justiça.

Eles explicaram que estavam em uma missão, pois há alguns anos teve notícia que um diabo tenha roubado um artefato de poder imensurável de um mago do Vale das Sombras. Demorou para minha ficha cair que eles estavam a mando de alguém que se dizia “Elminster“, e recrutou o grupo para procurar esse diabo, que estaria em algum lugar de Nessus. Liguei os pontos, e percebi que eles poderiam estar sendo enganados como foram os membros do grupo do tiefling Mordai e do elfo Thalionhir, que se juntou aos aventureiros ainda em Avernus.

Possivelmente o mesmo grupo que enganou eles e tantos outros, também enganou os Punhos. Menti então para eles que eu estava há meses presa nesse inferno pois meu grupo estava na Costa da Espada, e quando enfrentávamos um monstro, o grupo foi destruído, mas antes, o mago do grupo (Farengar, não consegui inventar um outro nome sem parecer estar mentindo), me “salvou” me teleportando para algum lugar, e desde então estou aqui, presa.

Eles ofereceram ajuda para eu sair, tão logo eles encontrassem esse diabo que roubou esse artefato – uma manopla – e com receio que eles achassem esse artefato e os entregasse para quem está se passando por Elminster, fui com eles e me tornei uma “Punho honorária”.

Tentei absorver o máximo de informação que o Quel’Thalas falava sobre o grupo, o artefato, e seu contratante. Também absorvi as habilidades e ensinamentos que ele prontamente me passava. E em poucos dias, estávamos no Portal que levaria para Nessus.

Em Nessus, procuramos por informações, mas o grupo não foi bem sucedido. Com um mês explorando as diversas cidades e vilas, e ao contrário de Cania, Nessus parecia uma amálgama de todos os níveis dos infernos, em recortes aleatórios. E no centro de tudo, tinha Malsheem, a Cidade do Inferno e moradia de Asmodeus.

Depois de alguns meses, encontramos indícios de onde estaria esse diabo: um diabo das profundezas por nome Scarab. Conforme confessavam os Punhos, o artefato por nome imaskarcana tinha a habilidade nata de não ser detectado, então Scarab estava protegido da ganância de Asmodeus, e poderia até almejar tomar seu lugar na hierarquia infernal.

Só que ele não foi esperto o suficiente: nenhum dos seus “primos demoníacos” faria algo contra o lorde supremo dos nove infernos, e era uma grande vantagem estratégica para nós: ele poderia estar sozinho, ainda elaborando seu plano de como utilizar o artefato em seu benefício, e poderíamos chegar de surpresa, já que os diabos são conhecidos por elaborarem planos que levam centenas de anos para serem postos em prática.

Ocultei meu conhecimento sobre os imaskarcanas, bem como não disse que o “Elminster” que contratou eles era falso, e que o verdadeiro Elminster estava dividido em duas partes: a primeira, o corpo, estava com os Libertadores em Faerüm; a outra, a alma, estava em algum local nos infernos, e minha intuição élfica apontava para Nessus.

Encontramos enfim o esconderijo de Scarab, e como os Punhos previram, ele estava só. Atacamos ele em sua pequena fortaleza, mas ele sabia manusear o artefato como fazia nosso amigo Choi quando esteve com o artefato. De alguma forma, o artefato foi ligado mais rapidamente ao Scarab do que a Choi.

Possivelmente dado a natureza maligna de Scarab. E o diabo, como um general dos infernos, começou a chamar e teleportar ajudantes para lutarem com ele. A batalha não foi rápida, e teve perseguição da parte dele. Lutamos até onde deu, e por sorte, ele não me reconheceu, já que nos enfrentamos na casa de Elminster quando ele se disfarçou de Everond, um aprendiz do próprio mago.

Na parte de cima, tivemos uma luta decisiva. Mas os Punhos não foram fortes o suficiente. Um a um eles foram caindo, decapitados, destruídos, desintegrados. Consegui fugi com alguns dos itens deles, e ainda fui perseguida por dia pelo bando de Scarab. Voltei para o portal que voltava para Cania.

E aqui estou. Não queria morrer uma terceira vez.

***

Quando terminou de narrar sua aventura entre os dois últimos níveis dos Infernos, o grupo estava estupefato. Eles agora tinham uma dica de onde estavam o artefato que eles perderam há quase dois anos atrás. Cabia agora decidir se achavam Elminster primeiro ou partia para resgatar o artefato. Ao contrário dos Punhos, o grupo – e eu – tinha conhecimento de como o artefato agia, e temos o conhecimento para deter Scarab. Mas nossa missão prioritária é resgatar Elminster, seja lá onde quer que ele esteja.

Cabe agora o grupo decidir. E terei que acatar a decisão deles.

Storm Silverhand



Saudações Aventureiros!

Paramos agora essa série de contos para aguardar o que os aventureiros dos Libertadores de Phandelver irão decidir. Depois de um hiato de quase quatro meses sem jogar, por motivos diversos, o grupo dos #CavaleirosInsones voltarão a se reunir para jogar no primeiro final de semana de abril! Então, a finalização das memórias de Storm serão encerradas tão logo eles deixem os infernos.

Será que eles enfrentarão Scarab? E será que o caminho deles se cruzarão com Asmodeus? Existe ainda esperança que todos saiam vivos dos Infernos? Essas e outras perguntas serão respondidas em um próximo – e último – conto.

E se quiserem ler o texto anterior, é só clicar aqui.

E rolem dados!

 

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